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Freguesia de Mêda, Outeiro de Gatos e Fonte Longa.

População: 2464 Habitantes
Área: 5.710 Ha

Descrição

A Freguesia de Mêda, Outeiro de Gatos e Fonte Longa foi criada pela reorganização administrativa do território das freguesias de 2013 e junta as antigas freguesias de Mêda, Outeiro de Gatos e Fonte Longa. A sede da Freguesia situa-se na sede do concelho.

 

Mais informações sobre as 3 freguesias iniciais

Mais sobre a cidade de Mêda

Localização

Meda é a sede do concelho do mesmo nome, pertencente ao distrito da Guarda e à diocese de Lamego. É uma terra antiga, com origens que se perdem no tempo, situada a cerca de 670 metros de altitude, num magnífico planalto onde a Beira termina e o Douro se anuncia, fronteiro às terras de Riba Côa e de onde se vislumbram as cumeadas da Estrela.

Notas Históricas

Como muito bem escreveu Frei Manuel Pimentel, em 7 de Maio de 1758, a paróquia estava toda junta e unida na mesma vila, sem ter lugar algum de fora, e situada em campinas, tendo próximo da vila um rochedo com vestígios de que foi murado, a que vulgarmente se chama castelo, e no alto uma capela particular da invocação de Nossa Senhora da Assunção (e não de Santa Bárbara). Esta capela, ao que se sabe, foi derrubada no século XIX e ali edificada a actual torre para o relógio, aproveitando a pedra da capela demolida.

Qual terá sido a origem desta localidade? Com fundamento nas investigações levadas a efeito pelo emérito Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues, a quem se deve o mais aprofundado estudo sobre a história e os valores culturais desta região, o nome da Meda estará relacionado com o radical Med, Meid; com a Quinta do Medo, onde há vestígios de povoamento luso-romano e a tradição diz ter sido a Meda primitiva, ou com o castro da Medelinha, ao sul dos Moínhos do Vento, a uma altitude de 800 metros, devendo ter-se em conta que na Idade Média o topónimo Meda aprece grafado Ameda, Almeda e Amida. Leite de Vasconcelos refere a existência de uma tribo lusitana fixada nesta região que em 48 A.C. foi atacada por Cássio Longino e suas tropas, tendo os medobrigenses retirado para os Montes Hermínios. Júlio Cesar, no cap. XLVII-1.2, no De Bello Alexandrino Comentarii faz uma longa referência aos medobrigenses, infirmando a referência de Leite de Vasconcelos. Aquele ilustre investigador e autor da monografia “Terras de Meda – Natureza e Cultura”, o Prof. Adriano V. Rodrigues, tem defendido, e sem controvérsia vem demonstrando, que os actuais medenses são os sucessores dos valentes medobrigenses que foram os últimos a resistir aos romanos e depois forçados a contribuir para a construção da famosa Ponte de Alcântara sobre o Tejo, onde, aliás, o seu nome se encontra referido numa inscrição latina ali colocada, em singular sequência que indica um percurso de sul para norte.

Caberá fazer uma referência ao testamento de D. Flâmula, sobrinha do Rei Ramiro II, de Leão, (século XI) pelo qual, entre outros bens, deixou para obras de beneficência “nostros castellos esse Trancoso, Moravia, Longrovia, Neuman, Vininata, Amendula, Pena de Dono, Alcobria, Semorzelli, Caria…”, havendo recentemente quem considere que “Amendula”, (ou Amindula), localidade ali referida, mais não será que a nossa actual Vila da Meda, infirmada de certo modo pela proximidade geográfica das localidades.

Porém, e como diz o mesmo ilustre investigador, Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues, “A Meda [Al-Meda, Ameda e Amida] nos alvores da nacionalidade portuguesa era de todas as actuais freguesias do concelho o mais insignificante lugarejo. Um cenóbio beneditino instalado junto de uma fonte, no sopé do morro granítico onde agora está a torre do relógio, assinalava a presença cristã e o direito ao celeiro. A principal riqueza era o trigo e os gados, que pertenciam à Ordem dos Beneditinos.

É com a Ordem de S. Bento que a Meda reinicia o processo da sua identidade e do seu desenvolvimento. É, de facto, com os beneditinos que se constrói a primeira igreja, de traça românica, base do actual templo. Sob S. Bento ou depois sob S. Bernardo do Claraval, os monges brancos sabiam escolher as terras mais produtivas do ponto de vista agrícola. A Meda aprendeu com eles a sua regra de oiro – “ora et labora” – , com eles crescendo paulatinamente, só se desenvolvendo de facto a partir do século XV.

Dos beneditinos eram os principais produtos, enquanto não foram parar às mãos da Ordem dos Templários, e mais tarde, depois de 1319, para as da Ordem de Cristo.

Os Templários deixaram algumas marcas na Meda, desde a lembrança de algumas cruzes nas portas das casas sitas na zona mais antiga da Vila (o que indica que alguém daquela família participou numa cruzada), ou na Capela da Senhora das Tábuas, por eles fundada e depois remodelada nos séculos XVI, XVIII e XX. Como ensina o Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues, a invocação mariana terá origem numa pintura de Nossa Senhora, num tríptico de madeira. O pavimento interior é feito em mosaico, figurando folhas de palmeira ao gosto oriental. Ali foram utilizadas, em lugar das pedras, vértebras humanas, certamente por influência das capelas dos ossos, ao gosto dos franciscanos. O estilo deste pavimento faz lembrar pavimentos semelhantes em igrejas cristãs na Palestina, pelo que terão sido os Cruzados a trazer este modelo. Aliás, no retábulo ali existente ainda se encontram restos de pintura de primitivos portugueses. Alguns ex-votos podiam ser vistos, ainda não há muito, no interior da capela.

No sopé do morro do Castelo, perto do pelourinho manuelino (a que falta a pirâmide octogonal, em gaiola, derrubada por um ciclone nos idos de 40), a Ordem dos Templários construiu uma torre que servia de celeiro. Numa sala das Casas Novas, da Família Corrêa de Lacerda, na Rua do Passeio, na Meda, é possível admirar ainda uma pintura a fresco, que dá uma ideia de como era essa construção. A torre, por desnecessária, veio a ser derrubada nos princípios do século XIX, servindo muitas das suas pedras para construir o velho Tribunal.

O pároco da Meda era freire apresentado pela Mesa da Consciência da Ordem de Cristo, com o título de Vigário. Tinha coadjutor, também freire da mesma Ordem. Mas em 1758 a descrição da igreja matriz já é diferente da que se faz no relatório da Visitação da Ordem em 1507; de facto, sobre a antiga igreja românica já tinha sido construída, nos alvores do século XVII, o templo actual. S. Bento (e não S. Bernardo) continua a ser o orago. No século XVIII há registo das irmandades da Senhora do Rosário, das Almas e do Santo Pastor.

D. Manuel I, o Venturoso, entre os forais novos da Beira, concedeu foral à “Vila de Meda, Comenda da Ordem de Cristo”, tornando-a concelho sobre si mesmo. Estávamos então em 1 de Junho de 1519.

O crescimento urbano da Meda, nos séculos XVI e XVII – segundo o Prof. Dr. Adriano Vasco Rodrigues – está ligado á economia cerealífera do centeio e do trigo, pesando também a produção da carne, de queijo e de lã. No século XVIII a Meda teve outro surto de desenvolvimento urbano motivado pela lã, pelo pão e pela produção doméstica da seda.O dinheiro que então entrou na vila fez-se sentir na construção de imóveis. A produção do vinho passou gradualmente a pesar na economia, sendo atualmente a atividade agrícola de maior peso.

Com o liberalismo, na segunda metade do século XIX, o concelho da Meda começou a tomar outra forma e a Vila a ter um desenvolvimento desusado. Ainda que não recebesse de imediato todas as localidades que hoje integram o Município, desde logo, a partir de 6 de Novembro de 1836, começa o concelho da Meda a apresentar uma nova configuração.

A história dessa evolução patenteia-se, com muitos e ricos pormenores na obra “O Concelho de Meda – 1838-1999” da autoria do insigne medense Dr. Jorge António de Lima Saraiva. Durante esse período, e segundo este autor, “o município de Meda criou os mecanismos essenciais ao bom funcionamento de um município moderno, embora de uma forma muito ténue. As competências eram vastas e variadas, mas a área de intervenção muito limitada, em parte devido à política centralizadora desenvolvida pelo estado Liberal.” (pag. 61, obra citada). Abre-se então a estrada para Trancoso, da Meda até A-do-Cavalo, procede-se à expropriação de terrenos para tornar a Praça da Igreja mais espaçosa e higiénica, constrói-se a Escola Conde de ferreira, o edifício das Caldas de Longroiva e o cemitério de Ranhados, criam-se escolas em Casteição, Prova e Ranhados, constroem-se chafarizes (o do Largo da Igreja, entre outros). Tudo isto com muita instabilidade política que leva a acertos e desacertos com delimitações de concelhos e comarcas.

É em 1875 que a Meda é escolhida para cabeça de comarca. Com efeito, a divisão judicial publicada em 12 de Novembro de 1875, reforça perante os seus vizinhos a posição do concelho da Meda. Foi esta data – 12 de Novembro – que durante muitos anos, até 1952, se comemorou como feriado municipal da Meda.

Não menos agitado foi o período pós-monárquico em terras da Meda. A Comissão Administrativa Republicana do concelho da Meda tomou posse em 13 de Outubro de 1910. As finanças municipais estavam asfixiadas, mas, ainda assim, foi possível adquirir por 6.016$00 o edifício atual dos Paços do Concelho ao Dr. António Maria Homem da Silveira Sampaio de Almeida e Melo.

Área: 2.787 Ha

Orago: S. Bento

Mais sobre Outeiro de Gatos

Localização

Outeiro de Gatos integra o concelho da Meda e fica a três Kms. da sede do concelho. É uma localidade de agradável aspecto, de campos verdejantes, cobertos de vinhas, olivais e amendoais. É atravessada pela Estrada Municipal 601, que, partindo da Meda e passando por esta ridente freguesia, se encaminha para o Aveloso, um pouco ao longo da Ribeira Teja, e depois se encaminha para a Prova, daí fazendo ligação com terras dos concelhos de Trancoso e Sernancelhe. Os lugares da Ariola e da Enxameia são anexas desta freguesia.

Notas Históricas

Outeiro de Gatos fazia parte do termo do antigo concelho de Casteição e a sua história, tal como a do lugar dos Chãos, está intimamente relacionada com a sede daquele concelho extinto pela Reforma Setembrista, em 6 de Novembro de 1836.

Em 1527, o censo régio da população registava 6 moradores na “quinta de Outeiro de Gatos”.

D. Joaquim de Azevedo, na História Eclesiástica da Cidade e Bispado de Lamego, fidalgo capelão da Casa Real e abade de Cedovim, nos finais do Século XVIII e princípios do Século XIX, assim descreve Outeiro de Gatos: “… no termo de Casteição, dista de Lamego 10 léguas, de Lisboa 59; curato de Nossa Senhora da Graça, que renderá 60$00 réis, apresentado pelo Abade de Casteição; tem capelas de S. Sebastião, Nossa Senhora do Desterro, na quinta de Enxameia; Nossa Senhora do Amparo, na quinta do Desembargador Caetano Saraiva; há nesta freguesia um grande campo do concelho, chamado Tecedeira, que os lavradores por devoção fabricam para o culto divino, e do que produziu um ano se fizeram os dois pequenos, mas bons sinos da igreja; produz a terra muitos gados, castanhas e pão; tem 168 fogos, almas 401.”

No final do Século XVII, Outeiro de Gatos estava integrado no concelho de Ranhados, juntamente com a Areola, e a sua população conjunta atingia então os números de 85 fogos e 340 almas, que se elevaram bastante à entrada de 1900, pois, nesse ano, registava o conjunto de Outeiro de Gatos e Areola 193 fogos e 705 almas. Em 1960 a localidade de Outeiro de Gatos contava 398 habitantes, e 318 habitantes 20 anos depois, tendo perdido 15% em duas décadas.

A cultura de cereais, a produção de seda e o pastoreio do gado fizeram prosperar as gentes desta freguesia entre os séculos XVI e XVIII. Em breve a cultura vinícola foi ocupando terras que dantes produziam cereal, aumentando o rendimento dos habitantes. Algumas habitações existentes na localidade mostram o crescimento económico que então se verificou; a Casa dos Pessanhas é um belo exemplar, mas outras casas aqui se encontram, de abastados lavradores.

É do final do Século XVIII a construção da Igreja Matriz, de notória traça barroca. Também nesse período teve vida florescente um convento, de que há ainda alguns vestígios.

O vinho de Outeiro de Gatos tem características peculiares, sendo conhecido como um vinho perfumado. José Augusto Abrunhosa Tavares, um dos ilustres filhos desta localidade, referiu tal característica na sua obra “Um jogo da barra às portas de Almeida”, um trabalho notável por quanto nele se consigna de interesse histórico e etnográfico acerca desta região. Referência especial para um outro seu natural, cultor das letras, o Dr. Alfredo Cabral, que dirigiu o jornal “O Educador”, foi dirigente superior do Ministério da Educação em Lisboa e publicou alguns livros de poesia, utilizando admiravelmente a redondilha popular.

Bibliografia:

Rodrigues, Adriano Vasco – “Terras da Meda – Natureza e Cultura” – 1983;

Saraiva, Jorge António Lima – “O Concelho de Meda – 1838-1999” – 1999.

Área: 1.927 Ha

Orago: Srª da Graça

Distância da Sede de Concelho: 4 Kms

Mais sobre Fonte Longa

Localização

A localidade de Fonte Longa integra o concelho da Meda por decreto de 1895, não obstante só ter saído do de Vila Nova de Foz Côa três anos depois. A povoação é uma autêntica varanda sobre as terras da Veiga de Longroiva. Faz parte, com Meda, Poço do Canto e Longroiva, do conjunto áreas demográficas do concelho da Meda incluídas na Região Demarcada do Douro. É atravessada pena EN 324, entretanto desnacionalizada.

 Notas Históricas

Há notícias do povoamento da Fonte Longa desde o período neolítico, face aos vestígios encontrados dessa época, como os machados polidos. Foi igualmente povoada no período da romanização, como o atestam diversas moedas encontradas no seu aro. Pertenceu á Comenda da Ordem de Cristo, que compreendia Longroiva, Meda, Muxagata, Santa Comba e Fontelonga. A Fonte Longa é um povoado interessante, com o seu casario incrustado numa meia-encosta que tira partido do sul. Abrigada dos frios do norte, nela se produzem culturas próprias das terras quentes ou mediterrânicas, como são a amendoeira, a oliveira e a vinha. Dos seus amendoais pode dizer-se que eles se tornam o melhor cartaz das amendoeiras em flor em todo o Concelho da Meda; dos olivais, que deles se consegue extrair um dos mais finos azeites do Alto-Douro e das vinhas, que estas, por se encontrarem na Região Demarcada do Douro, contribuem poderosamente para a fama dos bons vinhos desta região, incluindo o famoso “vinho fino, generoso ou do “Porto”. O Capelão da Casa Real e Abade de Cedovim, nos finais do século XVIII, dizia que no território da Fontelonga “se produz muito centeio, trigo, cevada, milho, feijões, grãos, garrobas”, sendo também abundantemente em gado miúdo e caça. Tinha então 129 fogos e 223 almas, enquanto no século anterior tinha apenas 100 fogos mas 400 almas. Porém, no ano de 1900 a Fontelonga possuía no seu termo 161 fogos e 578 almas. O património arquitectónico e artístico desta freguesia merece também algumas referências. Desde logo a sua Igreja Matriz, situada num belo largo, com capela-mor e sacristia. Dedicada a Santa Maria Madalena, tem um altar de estilo barroco e altares laterais dedicados a Nossa Senhora do Rosário e ao Menino Deus. São, respectivamente, dos séculos XVII e XVIII as imagens da Padroeira e de Santo António, ali se encontrando uma cadeira paroquial que é da época de D. José I. A capela de Nossa Senhora de Belém, nas proximidades da povoação, está implantada em aprazível lugar junto da EN 324. É de construção airosa, barroca, e possui um altar da época de D. Maria I. Lá dentro se encontra a piedosa e antiquíssima imagem de Nossa Senhora de Belém, que, ainda não há muitos anos, motivava uma concorrida romagem anual na quadra da Páscoa. Nos últimos anos a população da Fonte Longa passou a beneficiar de diversos importantes melhoramentos que contribuem para a sua qualidade de vida. Sem se falar de obras de abastecimento de água, de saneamento e de calcetamento das suas ruas e largos, a sede da freguesia foi electrificada em 1968, e num dos mandatos do Dr. João Mourato Leal Pinto foi possível alargar igual benefício à Quinta da Canameira (último lugar povoado do Concelho a ser electrificado). A constituição da Associação de Municípios do Rio Torto, que integra o concelho da Meda, veio permitir um desafogado abastecimento de água às populações do Concelho, com o que a freguesia da Fonte Longa, bem como as restantes freguesias do Concelho, viram eficazmente resolvido um dos problemas que as afligia.

Área: 996 Ha

Orago: Stª Maria Madalena

Distância da Sede de Concelho: 9 Kms

Localização

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Junta de Freguesia

Presidente da Junta

Mauro dos Santos Frade

  MORADA
– Avenida Gago C/S Cabral, 6430-183 Mêda

  TELEFONE
– 279 882 337

  EMAIL
– freg.mogfl@gmail.com

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